quinta-feira, 13 de junho de 2013

Segundo horário - cap. 3

Depois de meses nesse dilema de ser forever alone, consegui conhecer a turma, observei como era cada um e cada grupo. Aquelas panelinhas infernais.
Os meninos se distribuíam em três grupos: nerd’s, bagunceiros e afeminados. Os nerds eram muito tranqüilos, e algumas vezes, engraçados. Tinha um chamado Frederico – sério, esse era o nome dele – que dizia que a mãe morava na Itália, deveria morar com a avó, eu o chamava de Fred e ele era um gatinho. Já cheguei a escrever Gê e Fred em algum canto de algum lugar por aí... Já os bagunceiros, eu detestava! Aqueles garotos faziam parte dos vilões dos meus piores pesadelos. Eles eram muito malas e ainda por cima, maldosos. Praticavam bullying diariamente, inclusive comigo. Odiava cada um deles com todo ódio que existe no mundo. Malditos! E os afeminados eram dois. (risos). Eles eram bem pirraçados por todo mundo, muito engraçados e escandalosos. Inclusive, um deles assumiu a homossexualidade há pouco tempo, e o outro, atualmente, se diz heterossexual, sai com garotas e, pasmem, é mó pegador!
Agora as meninas. Um trio de patricinhas, sendo que apenas uma era de fato, pois as outras apenas se aproveitavam dela e de suas coisas. Tinha também as hiper-mega-super tímidas, que sentavam no fundo da sala, liam baixo quase sussurrando, e só viviam pelos cantos de cabeça baixa – acho que elas também se sentiam deslocadas como eu, a diferença era que diferente delas, eu não era tímida. E por ultimo, as piriguetes mirins que já tinham peitos iguais os da feiticeira, usavam o short da educação física quase enfiado no útero, passavam lápis de olho preto super forte nos olhos de manhã cedo, e já tinham ficado com quase metade dos meninos mais velhos do ensino médio da escola X. Não posso deixar de ressaltar: eram fãs do KLB. Eeeeeeeeeeeeeeca!
Essas meninas aspirantes a prostitutas, me deixavam com muita inveja às vezes, porque meus nerdzinhos lindos, embora não tivessem nada a ver com o jeito delas, ficavam derretidos quando elas passavam com os peitos explodindo pra fora da blusa e os shorts partindo o absorvente. Normal né? Fase de qualquer garoto... Elas realmente não estavam nem aí pra estudos, professores, futuro: a única coisa que elas queriam saber, sabiam, e tiravam nota dez era na matéria HOMEM- homem bocó. E não servia se fosse novo, só queriam saber dos mais velhos. E o mais trágico dessa sina delas, era que uma pegava o bofe da outra. Como lidar?
Quando rolava de sentar perto de uma delas, eu puxava assunto, tentava entender, mas o único diálogo que elas tinham comigo era: “olha se meu short sujou de sangue? Meu dente está sujo de batom? Droga! Esqueci meu mini espelho, você tem um pra me emprestar?”... Elas só andavam juntas e passava o intervalo inteiro com o povo mais velho, e aparentemente eles se aproveitavam delas. Mulheres, sendo objetos sexuais desde tão novinhas. O que influencia a pedofilia, e a sociedade machista impõe o pensamento de que elas provocam. Sim, se uma menina de 12 anos usa um short curto e dançam musicas rebolativas pode ser para chamar atenção dos mais velhos, e pode também querer estimular para o lado sexual, no entanto, um adulto, com consciência moral, jamais deve encorajá-las a continuar com esse tipo de comportamento, e no mais natural das hipóteses, deve ignorar uma criança que age assim. Opa, fugi um pouco da história para alertar sobre esse absurdo, mas já estou voltando...

No caminho de volta para casa, eu sempre ficava pensando em quanto tempo teria que ficar suportando esse povo que não me suporta. Se não chegaria o dia que eu iria encontrar uma amiga... Eu estava muito sozinha, e pra falar a verdade, um ano já tinha se passado, chegaram as férias, acabaram, e eu voltei para o mesmo lar de incompatibilidade: a escola X. Nada havia mudado, e eu cada vez mais de saco cheio daquilo tudo. Já tinha pedido mil vezes pra sair dali, mas meu pai não me ouviu. Então, eu dei um jeito de não ir mais.  

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