terça-feira, 4 de junho de 2013

Segundo horário - cap 2

Minha convivência com meus novos coleguinhas de sala – e de escola – estava cada vez mais me deixando com raiva da vida. Você sabe que não é bem vindo num lugar, quando frequenta ele d-i-a-r-i-a-m-e-n-t-e e cada dia senta num lugar diferente, e nenhum lugar parece te caber.
Meu material escolar. Não, eu não tinha os piores materiais do mundo, mas quando colocados ao lado dos cadernos e canetas e FICHÁRIOS das minhas novas coleguetes (colega + piriguete), eles eram meio passados, ou pelo menos deveriam ter ficado no primário. Por conta disso, desenvolvi uma psicopatia por novos materiais. Até hoje eu fico ansiosa pra comprar meus apetrechos da faculdade, as melhores e mais confortáveis canetas, de todas as cores, blocos de fichários e cadernos cheios de viadagens, estojos caros e todas as novidades que me chamarem a atenção. Isso foi um trauma que sofri nesta dita escola de playboys e patricinhas que não gostavam de estudar, mas não poderiam ir para um colégio público porque ia pegar mal. Eca!
Na hora do intervalo, eu comprava o meu lanche bem rápido, e corria para um parque que ficava na parte primária do colégio. Por exemplo, se a escola se chamasse coisa, essa parte primária se chamaria coisinha. Era o diminutivo do nome da escola, mas só funcionava de tarde, então o parque ficava deserto, e era pra lá que eu ia, todo dia.
Esse brinquedo em especial que eu passava todo o intervalo, era uma casinha no alto, subia pela escada e saia pelo escorregador. Em volta, tinha muita areia, e por isso, o meu tênis ficava todo sujo por dentro. Lá do alto dessa casinha, que dentro da minha brilhante cabeça era chamada de castelo, eu pensava mil coisas. Eu imaginava como seria a minha vida quando tivesse 15, 16, 17 anos. Será que eu seria bocó e piriguete, como aquelas garotas peitudas daquele colégio? Imaginava também o que será que estava acontecendo na minha antiga escola, e com minhas antigas colegas... (suspiro).
Nesta época, eu já curtia bandas nacionais e internacionais de rock, por causa do meu pai. Em especial, no meu discman – um aparelho portátil que passava cd’s, só procurar no Google que você acha rsrs – tocava sempre o cd do legião urbana, e repetia a musica “tempo perdido” pelo menos umas 4 vezes... Já dava pra notar, de longe, que eu não era uma criança comum.

11:30 batia o sinal pra ir embora, e cara, era o meu único momento de felicidade naquele lugar. Eu descia uma rua me esbarrando com os garotos altos de risadas exageradas e garotinhas histéricas que pareciam ter uma abelha na bunda de tanto assanho. Por meses eu tive a certeza de que todos ali estavam rindo de mim.   

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